domingo, 31 de julho de 2011

Características da Visão Sistêmica

Pode-se definir a Visão Sistêmica como a compreensão de que as empresas são composições de sistemas, que são totalidades integradas, com propriedades não reduzíveis às partes o qual qualquer objeto não se fragmenta, considerando os fenômenos a partir da sua trama de relações. Entende-se a organização como um sistema integrado, inclusive à sociedade.

Enfim, a Visão Sistêmica é o olhar que permite enxergar de modo claro cada processo e cada negócio. É a visão do todo, buscando a excelência naquilo que diz respeito à organização, tanto no que se refere às coisas tangíveis (produtos, por exemplo) quanto intangíveis (marca, imagem, talentos), contemplando todas as partes interessadas.

Dessa forma, despontam-se a seguintes características...
·         Ruptura com as hierarquizações rígidas e com a fixidez dos pré-conceitos;
·         Visão holística: a compreensão de que não há partes, mas padrões numa teia inseparável de relações – pensar em redes;
·         Lógica processual – a estrutura do sistema vista como manifestação de processos subjacentes;
·         O desempenho de um componente pode afetar não apenas a própria organização, mas todas as suas partes interessadas;
·         Interação e intercâmbio com o meio ambiente;
·         Enfatiza o pensamento não linear;
·         Privilegia a interação;
·         Incorpora o contexto.

Para BARROS (1994), um sistema existe como tal se possuir nove características:
1)    Importação de energia: os sistemas precisam importar energia do seu ambiente. Essa energia pode tomar variadas formas, conforme seja a estrutura do sistema e seus objetivos.
2)    Transformação de energia: os sistemas necessitam processar a energia importada do ambiente, transformando-a em algum tipo de produto.
3)    Exportação de energia: os sistemas exportam a energia, transformando-a em algum tipo de produto.
4)    Ciclo de eventos: o produto exportado pelos sistemas garante a continuidade do ciclo importação – transformação – exportação o que por sua vez, contribui, de forma fundamental, à continuidade do ambiente.
5)    Entropia: Os sistemas se movem na direção de sua desintegração.
6)    Entropia negativa (perpetuação de atividades): por importarem mais energia do que consomem – inclusive no processo de transformação – os sistemas tendem a armazenar o excedente, que será usado para evitar a entropia.
7)    Equilíbrio dinâmico (homeostase):os sistemas, quando são alterados por influência de outros sistemas do ambiente, desenvolvem ações que propiciam um novo equilíbrio interno de suas estruturas.
8)    Especialização: os sistemas tendem a diferenciar tanto suas atuações das atuações de outros sistemas do mesmo ambiente que terminam por especializar-se mais e mais em suas atividades.
9)    Eqüifinalidade: por diferentes meios e formas, os sistemas atingem seus objetivos.

Principais  práticas das empresas com visão sistêmica
As empresas que praticam a abordagem sistêmica têm uma multiplicação de dispositivos, abrangendo dessa forma os entrelaçamentos entre todas as áreas de negócios. Além disso, usualmente há uma ruptura com as hierarquizações rígidas e com fixidez dos pré-conceitos.

Outra prática é a da aplicação da lógica processual, onde a estrutura do sistema é vista como manifestação de processos subjacentes, sem busca um controle total. Soma-se a isso, uma das práticas mais interessantes, uma importância particular ao social, ao ambiente o qual a empresa está inserida.

Ações que viabilizem a implementação da visão da complexidade
O termo complexidade vem de complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. A metáfora da máquina é substituída pela do tecido, da trama. Diante da complexidade do mundo, não se pode pensar que tudo pode ser planejado, que se pode controlar tudo. Controla-se algumas coisas, não todas. A situação complica-se num ambiente tão complexo como o que estamos vivendo, no qual variáveis de toda ordem se entrecruzam, tecem novos arranjos internos e externos à empresa, produzem outras interações, trazem perplexidades.
Então, as empresas que praticam a Visão Sistêmica e desejam migrar para a da Complexidade, podem tomar as seguintes ações...
·         Adotar sistemas adaptativos, capazes de aprender e que auto regulam-se;
·         Reconhecer que questões emergem das interações entre pessoas e recursos e, não raro, sem serem previstas;
·         Olhar a dinâmica do mundo dos negócios como uma feira livre, na qual a ordem emerge de uma situação aparentemente caótica;
·         Fazer com que todos os seus membros sejam percebidos como capazes de aprender, desenvolver-se e criar;
·         Compreender que embora os processos tenham comportamentos racionais e previsíveis, alguns são autônomos e seu curso é determinado a cada momento, na interação entre os diferentes elementos;
·         Compreender que são as contradições pulsantes que emprestam a vida a uma empresa;
·         Ter capacidade de mudar de comportamento conforme as condições ambientais mudem;
·         Utilizar mentores, nomear com que aprender.

Referências Bibliográficas


·         BAPTISTA, MARIA LUIZA CARDINALE. Emoção e subjetividade na paixão-pesquisa em comunicação. Disponível em: http://www.uff.br/mestcii/marialuiza.htm. Acessado em 26 ago 2006.
·         BARROS, A. A. C. Estrutura nos sistemas. Brasília-DF, UnB, 1994. 7 p. (mimeo).
·         FGV ONLINE. Apostila da disciplina Mentoria. Módulo 3.
·         NOVAIS, IÊDA PATRÍCIO. Além do fato / Uma visão sistêmica da gestão. JB Online. Disponível em http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/economia/2006/01/13/joreco20060113001.html. Acessado em 25 ago 2006.

Um comentário:

  1. Prof. Milton.

    Tenho a certeza que o conceito de Visão Sistêmica é de fundamental importância para o Ensino a Distância.

    Bernardo De Filippis

    ResponderExcluir

Postagens populares