Pode-se definir a Visão Sistêmica como a compreensão de que as empresas são composições de sistemas, que são totalidades integradas, com propriedades não reduzíveis às partes o qual qualquer objeto não se fragmenta, considerando os fenômenos a partir da sua trama de relações. Entende-se a organização como um sistema integrado, inclusive à sociedade.
Enfim, a Visão Sistêmica é o olhar que permite enxergar de modo claro cada processo e cada negócio. É a visão do todo, buscando a excelência naquilo que diz respeito à organização, tanto no que se refere às coisas tangíveis (produtos, por exemplo) quanto intangíveis (marca, imagem, talentos), contemplando todas as partes interessadas.
Dessa forma, despontam-se a seguintes características...
· Ruptura com as hierarquizações rígidas e com a fixidez dos pré-conceitos;
· Visão holística: a compreensão de que não há partes, mas padrões numa teia inseparável de relações – pensar em redes;
· Lógica processual – a estrutura do sistema vista como manifestação de processos subjacentes;
· O desempenho de um componente pode afetar não apenas a própria organização, mas todas as suas partes interessadas;
· Interação e intercâmbio com o meio ambiente;
· Enfatiza o pensamento não linear;
· Privilegia a interação;
· Incorpora o contexto.
Para BARROS (1994), um sistema existe como tal se possuir nove características:
1) Importação de energia: os sistemas precisam importar energia do seu ambiente. Essa energia pode tomar variadas formas, conforme seja a estrutura do sistema e seus objetivos.
2) Transformação de energia: os sistemas necessitam processar a energia importada do ambiente, transformando-a em algum tipo de produto.
3) Exportação de energia: os sistemas exportam a energia, transformando-a em algum tipo de produto.
4) Ciclo de eventos: o produto exportado pelos sistemas garante a continuidade do ciclo importação – transformação – exportação o que por sua vez, contribui, de forma fundamental, à continuidade do ambiente.
5) Entropia: Os sistemas se movem na direção de sua desintegração.
6) Entropia negativa (perpetuação de atividades): por importarem mais energia do que consomem – inclusive no processo de transformação – os sistemas tendem a armazenar o excedente, que será usado para evitar a entropia.
7) Equilíbrio dinâmico (homeostase):os sistemas, quando são alterados por influência de outros sistemas do ambiente, desenvolvem ações que propiciam um novo equilíbrio interno de suas estruturas.
8) Especialização: os sistemas tendem a diferenciar tanto suas atuações das atuações de outros sistemas do mesmo ambiente que terminam por especializar-se mais e mais em suas atividades.
9) Eqüifinalidade: por diferentes meios e formas, os sistemas atingem seus objetivos.
Principais práticas das empresas com visão sistêmica
As empresas que praticam a abordagem sistêmica têm uma multiplicação de dispositivos, abrangendo dessa forma os entrelaçamentos entre todas as áreas de negócios. Além disso, usualmente há uma ruptura com as hierarquizações rígidas e com fixidez dos pré-conceitos.
Outra prática é a da aplicação da lógica processual, onde a estrutura do sistema é vista como manifestação de processos subjacentes, sem busca um controle total. Soma-se a isso, uma das práticas mais interessantes, uma importância particular ao social, ao ambiente o qual a empresa está inserida.
Ações que viabilizem a implementação da visão da complexidade
O termo complexidade vem de complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. A metáfora da máquina é substituída pela do tecido, da trama. Diante da complexidade do mundo, não se pode pensar que tudo pode ser planejado, que se pode controlar tudo. Controla-se algumas coisas, não todas. A situação complica-se num ambiente tão complexo como o que estamos vivendo, no qual variáveis de toda ordem se entrecruzam, tecem novos arranjos internos e externos à empresa, produzem outras interações, trazem perplexidades.
Então, as empresas que praticam a Visão Sistêmica e desejam migrar para a da Complexidade, podem tomar as seguintes ações...
· Adotar sistemas adaptativos, capazes de aprender e que auto regulam-se;
· Reconhecer que questões emergem das interações entre pessoas e recursos e, não raro, sem serem previstas;
· Olhar a dinâmica do mundo dos negócios como uma feira livre, na qual a ordem emerge de uma situação aparentemente caótica;
· Fazer com que todos os seus membros sejam percebidos como capazes de aprender, desenvolver-se e criar;
· Compreender que embora os processos tenham comportamentos racionais e previsíveis, alguns são autônomos e seu curso é determinado a cada momento, na interação entre os diferentes elementos;
· Compreender que são as contradições pulsantes que emprestam a vida a uma empresa;
· Ter capacidade de mudar de comportamento conforme as condições ambientais mudem;
· Utilizar mentores, nomear com que aprender.
Referências Bibliográficas
· BAPTISTA, MARIA LUIZA CARDINALE. Emoção e subjetividade na paixão-pesquisa em comunicação. Disponível em: http://www.uff.br/mestcii/marialuiza.htm. Acessado em 26 ago 2006.
· BARROS, A. A. C. Estrutura nos sistemas. Brasília-DF, UnB, 1994. 7 p. (mimeo).
· FGV ONLINE. Apostila da disciplina Mentoria. Módulo 3.
· NOVAIS, IÊDA PATRÍCIO. Além do fato / Uma visão sistêmica da gestão. JB Online. Disponível em http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/economia/2006/01/13/joreco20060113001.html. Acessado em 25 ago 2006.